segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Agressores e vítimas formam esquadrão anti-bullying em escola na periferia de São Paulo

É hora do intervalo na escola estadual Jornalista David Nasser, no Capão Redondo, em São Paulo. Ao perceber que um amigo estava sendo ofendido – de novo – por termos como “bicha” e “viadinho”, Amanda Soares do Nascimento, 13, resolveu partir para a briga. O grupo agressor revidou e, para não apanhar, Amanda e o amigo sairam correndo. Depois, eles tiveram de ser “escoltados” por um professor para evitar qualquer tipo de vingança. A cena, que era comum há um ano, virou caso raro.
Atualmente, vítimas e agressores fazem parte do mesmo grupo e divulgam pela escola a importância da tolerância e do respeito pela diferença. Dois estudantes de cada classe são escolhidos para integrar esse tipo de esquadrão contra o bullying e outras violências na escola. A ideia é resultado da combinação de dois programas — o JCC (Jovens Construindo a Cidadania), promovido pela PM (Polícia Militar) e outro, da secretaria estadual de Educação, que institui a figura do professor-mediador [de conflitos] — por meio de dois profissionais: a professora-mediadora Fabiana Laurentino da Silva e o policial militar Fausto Alves Ramalho.

Pode crer

Os alunos desenvolvem discussões, produção de propagandas e apresentações culturais. Para pôr fim aos maus-tratos, o teatro e a música mostraram-se bastante eficientes. O funk, ritmo apreciado por muitos, ganhou uma letra específica para o tema, redigida pelos próprios alunos. Diz um trecho: “a amizade é muito boa, estamos na escola para aprender. O bullying é muito errado e nisso você pode crer”.
Além de acalmar os ânimos, o contato com a arte e o fato de encontrar meios de se expressar revelou alguns talentos. Gustavo Soares da Rocha, 15, por exemplo, é o centro das atenções com as músicas que toca para difundir ideias de tolerância. Antes do programa, o garoto era o terror da escola — com histórico de depredação do prédio e brigas com os colegas. “[Fazia aquilo] para fazer graça e ganhar respeito dos outros”, conta. “Mas tem outras maneiras de fazer isso”, explica.
Até agosto deste ano, o grupo se reunia em horário de aula, mas passou a fazer parte do conjunto de atividades extracurriculares. Os professores e a direção avaliaram que os estudantes não podiam abrir mão desse tempo em classe, apredendo as matérias do currículo.

De agressor a exemplo

Combinando as iniciativas, Ramalho e Fabiana têm trabalhado para tornar os causadores dos maus-tratos em combatentes da violência. Eles aproveitam o potencial de liderança e mobilização dos antigos agressores, usando essas características para evitar o bullying.
Maria Luiza Goes, 13, já experimentou os dois lados. Pernambucana, a menina debochava dos colegas estudiosos, perseguindo-os e chamando-os de “nerds” quando morava no Nordeste. Quando chegou à capital paulista, ela passou à posição oposta: “Fui chamada de nerd várias vezes”, conta. Depois de ter entrado no grupo, ela, que já havia se arrependido do que fazia na antiga escola, tenta passar sua experiência aos outros para que a história não se repita.
A história de Laiane Lopes Neres, 12, é parecida: ela já foi vítima e agressora. Ao representar uma personagem que se enforca por causa das seguidas agressões, a aluna se emociona e chora ao lembrar dos sentimentos que vieram à tona. “Nunca imaginei como seria estar numa situação assim”, afirma.

Diálogo

O grupo sabe de cor o que é bullying: “agressões físicas ou verbais repetidas que podem levar à depressão e até ao suicídio”. A definição, burocrática, ganha outras cores com casos como o de Mateus da Conceição, 13, que fala pelos cotovelos e não tem problemas para se expressar em público. Quem o vê hoje em dia não imagina que já sofreu depressão, parou até de comer e cogitou o suicídio. “Era tão humilhado que perdi a vontade de tudo”, conta. Para descontar a tristeza que sentia, resolveu atazanar um colega. “Puxava o cabelo dele, batia até deixar a cara roxa. Hoje vejo que coisa horrível eu fiz”, conta.
Para esses alunos, o grupo anti-bullying representou o fim de uma longa e triste história. “Agora sei que nunca deveria ter partido para a agressão”, diz Amanda. A intenção é justamente essa: substituir a violência pelo diálogo na resolução dos conflitos entre as crianças e os jovens — conflitos esses que sempre vão existir.
“Queremos também mostrar à vítima que ela tem com quem contar dentro da escola”, diz Fabiana que sempre tenta colocar agressores e vítimas frente a frente para ajudá-los a resolver os conflitos. Muitas dessas duplas acabam se tornando amigos, como é o caso de Juliana Neres, 15, e Gustavo Soares da Rocha, 15. O garoto costumava xingá-la “por causa dos cadarços coloridos que [ela] usava”. Atualmente, eles não se desgrudam e têm o hábito de realizar longos duelos ao estilo Harry Potter.
A turma está pensando agora em promover uma passeata pelo bairro para promover a luta contra o bullying. Eles querem até chamar uma fanfarra para animar a caminhada. Também negociam uma participação no programa “Altas Horas”, da Rede Globo, para mostrar o trabalho desenvolvido. “Vamos levar a discussão a outras escolas e até a países estrangeiros, pois o bullying não é um problema só do Brasil”, diz um dos alunos, apoiado em seguida pelos outros.
Fonte: UOL

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A onda


a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
(Manuel Bandeira)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Editora moderna lança série que apóia escolas e professores na educação inclusiva de alunos com deficiências

A Editora Moderna acaba de lançar uma série de livros sobre Atendimento Educacional Especializado (AEE). Os cinco títulos, que fazem parte da coleção “Cotidiano Escolar: ação docente”, são dirigidos a professores e a todos os interessados em conhecer um pouco mais os desafios e também as possibilidades de inclusão escolar das pessoas com deficiência.

Renomados especialistas em educação especial, os autores da série oferecem subsídios para a ação inclusiva na sala de aula, como informações científicas, relatos de experiências e sugestões para o atendimento às necessidades educacionais dos alunos com deficiência auditiva, visual, física e intelectual. A série ainda traz um volume voltado para a discussão das políticas públicas na área da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, tema que integra o Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020), na meta de número 4.

Meta 4. Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. (PNE 2011-2020)

Segundo o Ministério da Educação, no ano passado, 484.332 estudantes com deficiência estavam matriculados em colégios regulares. “Por lei, nenhuma escola, pública ou privada, pode recusar a matrícula de estudantes com deficiência. Mas sabemos que a inclusão envolve o desafio de atender às necessidades educacionais de todos os alunos, portanto, ela depende principalmente da capacitação do professor, e não apenas da matrícula assegurada. Por isso, a série tem o objetivo de orientar e apoiar os docentes da rede regular de ensino em suas práticas pedagógicas voltadas para esse atendimento”, diz Sônia Cunha, diretora editorial da Editora Moderna, responsável pela coleção.

Cada livro da série aborda prioritariamente um tipo de deficiência. No volume “AEE do aluno com surdez”, por exemplo, o leitor, além de se informar sobre o que a Política Nacional de Educação Especial versa sobre a deficiência, conhecerá mais sobre o ensino e o aprendizado da Libras – Língua Brasileira de Sinais.

O ensino do Braille e a compreensão das necessidades e potencialidades de pessoas cegas e com baixa visão, no processo de escolarização, são debatidos no volume “AEE do aluno com deficiência visual”. Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que obriga as escolas públicas e privadas a oferecer a seus estudantes com deficiência o ensino de linguagens que lhes permitam a inclusão no ambiente escolar, como a Libras e o método Braille.

A gestão, a avaliação e o acompanhamento da aprendizagem de alunos com deficiência intelectual, assim como o papel da acessibilidade para a efetiva participação do estudante com deficiência física no cotidiano escolar, são analisados em livros específicos.

“Cada volume traz informações sobre a deficiência e suas implicações no processo de construção do conhecimento, além de apresentar estudos de casos e estratégias específicas, como a adaptação do material didático, sempre visando ampliar as possibilidades de interação e participação desse aluno em situações de aprendizagem na sala de aula regular. São orientações e reflexões úteis para professores, gestores, pais e familiares, todos peças fundamentais no processo de inclusão da pessoa com deficiência”, diz Sônia Cunha.

Os livros “Atendimento Educacional Especializado” estão disponíveis nas filiais e nos distribuidores da Editora Moderna, em todo o território nacional.

Conheça os autores da coleção
“Atendimento Educacional Especializado – Políticas Públicas e Gestão nos Municípios”
Maria Teresa Eglér Mantoan – Pioneira no movimento brasileiro em favor da inclusão escolar, integrou o grupo de trabalho que sistematizou a nova Política Nacional de Educação Especial. Coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferenças da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – SP.
Maria Terezinha Teixeira dos Santos – Autora do livro “Bem-vindo à escola: a inclusão nas vozes do cotidiano”, ex-secretária Municipal de Educação e Cultura de Três Corações (MG).
“Atendimento Educacional Especializado do aluno com deficiência intelectual”

Rita Vieira de Figueiredo – Mestre em educação, doutora em psicopedagogia pela Université Laval (Canadá), e pós-doutorada em Linguagem Escrita e Deficiência Intelectual pela Universidade de Barcelona, na Espanha.
Jean-Robert Poulin – Pesquisador na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, vinculado à linha de pesquisa de educação especial. Canadense, graduado pela Université Laval.
Adriana Limaverde Gomes – Coordenadora da área de Deficiência Intelectual do Curso de Especialização em Atendimento Educacional Especializado pela Universidade Federal do Ceará. Graduada em Pedagogia e mestre em Educação pela Universidade Estadual do Ceará, especialista em Psicomotricidade pela Universidade de Fortaleza.

“Atendimento Educacional Especializado do aluno com deficiência visual”
Elizabet Dias de Sá – Psicóloga pós-graduada em Psicologia Educacional, coordena o Centro de Apoio Pedagógico para o Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) de Belo Horizonte, junto à Secretaria Municipal de Educação.
Myriam Beatriz Campolina Silva – Psicopedagoga e professora especializada em deficiência visual. Integra a equipe da Coordenadoria Municipal das Pessoas Portadoras de Deficiência de Belo Horizonte (MG).
Valdirene Stiegler Simão – Graduada em Educação Física, com especialização em Metodologia do Ensino e Avaliação e aperfeiçoamento na Área da Deficiência Visual; mestre em Educação, é professora pesquisadora do curso de Formação de Professores em Atendimento Educacional Especializado, da Universidade Federal do Ceará em parceria com o MEC.

“Atendimento Educacional Especializado do aluno com deficiência física”
Rita Bersch – Consultora da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, fisioterapeuta especialista em Reeducação das Funções Neuromotoras pela Universidade Luterana do Brasil.
Rosângela Machado – Coordenadora geral da Política de Educação Especial da Secretaria de Educação Especial do MEC no período de 2008 a 2009. Pedagoga pela Universidade Federal de Santa Catarina.
“Atendimento Educacional Especializado do aluno com surdez”

Mirlene Ferreira Macedo Damazio – Pedagoga com mestrado em Educação e Educação para a Diversidade Humana pela Universidade de Salamanca, é consultora do MEC/Seesp/Seed/UFC no Programa de Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, na área da Surdez.
Carla Barbosa Alves – Pedagoga e especialista em Metodologia do Ensino Superior e em Educação Especial pela Universidade Federal de Uberlândia. Supervisora escolar da Prefeitura de Uberlândia, no setor responsável pela Educação Especial.

Sobre a participação das pessoas com deficiência nas tomadas de decisão

Mais uma vez a participação de pessoas com deficiência intelectual em importantes eventos em que elas próprias são o assunto principal é posta em cheque. Parece que não adiantam tratados internacionais, leis nem campanhas de conscientização para que mesmo aqueles que estão dentro do movimento das pessoas com deficiência, entendam que esta participação não é uma opção. “Nada sobre nós sem nós”, não é apenas um lema, é um direito constitucional.


Com o intuito de ajudar a convencer esta parcela resistente às mudanças, que inclusive não vêm de hoje – na verdade começaram a acontecer em 1978, no Congresso de Viena e portanto há 33 anos (!),.traduzi trechos da biografia do ativista Peter Mittler, da Inclusion International, que descrevem conferências mundiais sobre deficiência intelectual e contam a história dos auto-defensores.

Inclusion International – Uma história pessoal, de Peter Mittler.

“VIENA – 1978

O Congresso de Viena sobre deficiência mental de 1978 foi memorável por ter sido a primeira ocasião em que grupos de pessoas com deficiência intelectual participaram.

(…)
Houve algumas discussões sobre que “acomodações especiais” teriam de ser feitas para eles, mas logo foi decidido apenas deixá-los vir como participantes comuns, juntamente com os seus acompanhantes, e misturarem-se com todos os outros em sessões, eventos sociais e passeios .

NAIROBI 1982

Uns 300 auto-defensores chegaram, junto com acompanhantes e alguns com seus pais.
…
A sessão plenária foi uma experiência inesquecível. Cada membro do painel veio de um país diferente e nem todos falavam em Inglês. Ake Johansen, o mais antigo membro do painel, passou décadas em uma instituição de longa permanência sueca e mais tarde publicou um livro sobre suas experiências. Alguns tiveram algum apoio, mas a maioria falou sem notas e se manteve dentro do tempo estipulado. Todos eles falaram sobre os seus direitos – o direito de ir à escola e trabalhar na comunidade, o direito de escolher como e onde viver, o direito de escolher os amigos.

No final, Ake Johansen nos presenteou com uma lista de recomendações sobre como fazer a próxima conferência mais acessível – os palestrantes não deveriam falar por tanto tempo, usar frases curtas, lembrar-se que nem todo mundo sabia tantas palavras como eles. Todos os conselhos admiráveis mas nem sempre são atendidos, como ele mesmo se queixou muitos anos depois.

Poucos de nós havia visto um evento como esse e o público oscilava entre silêncio atordoado e aplausos histéricos. Mas, mais estava por vir: perguntas e respostas. Todos nós tínhamos medos sobre como essa parte iria se desenrolar. Será que as perguntas serão muito complicadas, irrelevantes, até mesmo hostis? Será que os debatedores entenderão as perguntas e serão capazes de responder? Pelo que me lembro, embora houvesse obstáculos e dificuldades, as sessões de perguntas e respostas excederam todas as nossas expectativas.

HAMBURGO 1985

Hamburgo marcou uma virada na histórica não só da Liga (Liga de Sociedades de Pessoas com Deficiência Mental, ILSMH, que deu origem à Inclusion International), mas do movimento de auto-defensores, porque o que aconteceu não foi planejado e pegou todos de surpresa. Foi na verdade uma manifestação de todos os auto-defensores, protestando contra a sua exclusão da conferência.

O evento de Hamburgo era uma conferência regional europeia, muito bem organizada e planejada pela Lebenshilfe da Alemanha, liderada por Tom Mutters, um dos três fundadores da Liga. Após o encontro de Nairobi, houve uma forte mobilização para a participação do maior número de auto-defensores possível.

Mais de 300 auto-representantes vieram de toda a região. Os organizadores tinham feito arranjos para que visitassem uma variedade de serviços e locais de interesse e organizado muitas atividades de lazer, bem como oportunidades de discussão entre si. Mais uma vez, uma sessão final foi planejada em que alguns deles fariam uma breve apresentação e recomendações sobre temas específicos, seguido por uma rodada de perguntas e resposta.

Havia uma atmosfera de expectativa no auditório lotado e parecia que os membros da mesa e a moderadora da sessão estavam prestes a subir ao palco. Ao invés disso, assistimos a uma procissão interminável de auto-defensores deixando os seus lugares reservados nas filas da frente e andando de maneira calma e ordenada para a palco. Quando estavam todos reunidos, eles cuidadosamente desfraldaram um banner enorme, da largura do palco, onde se lia:

“Por que fomos excluídos desta conferência?”

Ninguém falou uma palavra. Os auto defensores mantiveram-se firmes, de frente para o público, mas com uma atitude amigável. Houve um longo silêncio, atordoador. Ninguém sabia o que fazer. A moderadora e os membros da mesa não estavam à vista.

O silêncio foi finalmente quebrado pelas palmas e gritos de pessoas da platéia, muitas estavam de pé, algumas estavam chorando. Outros permaneceram impassíveis. Os organizadores alemães estavam em estado de choque. Nem eles nem ninguém tinha ideia do que iria acontecer. Os auto-defensores sorriram e acenaram de volta, mas ficaram onde estavam.

Eventualmente, eles voltaram para seus lugares, e a sessão que estava programada começou. Depois do que aconteceu, poderia ter sido um anti-clímax, mas não foi. A mesa explicou que os auto-defensores estavam felizes por estar em Hamburgo, mas eles pensavam que iriam assistir a uma conferência. Em vez disso, visitaram vários centros de convivência, residências terapêuticas e fizeram atividades de lazer. Eles gostaram de estar uns com os outros, fizeram algumas amizades e tinham aprendido muito, apesar dos problemas de linguagem. Mas não tinham participado da conferência – até agora.

A sessão terminou e, como presidente, coube-me encerrar a conferência. Em vez das palavras convencionais, eu disse que tínhamos acabado de presenciar um evento histórico – não apenas para a Liga, mas para pessoas com deficiência intelectual em todo o mundo. Pela primeira vez, que eu soubesse, eles não estavam apenas falando por si próprios, mas estavam fazendo isso sem a mediação de seus pais, de profissionais, nem dos membros da Liga. Eles também se mostraram solidários uns com os outros, o que lhes daria força para voltar aos seus países e continuar a lutar por seus direitos e por aquilo que em acreditavam. Disse que todos nós deveríamos dar as mãos a eles até onde eles quisessem o nosso apoio, e deixá-los prosseguirem.

A sessão terminou, mas pequenos grupos permaneceram em cada canto do auditório em animada discussão. Eu dei uma volta pelo auditório e pude ouvir divergências profundas e perturbadoras entre os grupos e dentro deles. Familiares, amigos e colegas de profissão que pensavam que conheciam as opiniões uns dos outros encontravam-se em extremos opostos.

Algumas pessoas elogiaram o que eu tinha dito no encerramento, mas muitas não gostaram. Eu não posso estimar quantas pessoas simpatizaram com os manifestantes, mas entre aqueles que levantaram dúvidas e demonstraram até mesmo hostilidade, eu pude identificar algumas reações bastante perturbadoras:

“-Eles não estavam falando por si próprios;

-Eles foram manipulados;

-Eles não eram deficientes mentais, eram?

-Quem são eles para falar por nossos filhos
-Eles deveriam estar agradecidos a nós por termos deixado-os vir. ”
(…)

Para mim, o movimento de auto-defesores atingiu a maioridade quando Goode Barb dirigiu uma sessão plenária da Assembléia Geral da ONU para marcar o fim da Década das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas em 1992. Ela disse o seguinte:

“Falo em nome de pessoas com deficiência mental. Somos pessoas primeiro lugar e só em segundo lugar nós temos deficiência mental.

Queremos avançar nos nossos direitos e queremos que outras pessoas saibam que estamos aqui. Queremos explicar aos nossos companheiros seres humanos que podemos viver e trabalhar em nossas comunidades.

Queremos mostrar que temos direitos e responsabilidades.

Nossa voz pode ser uma novidade para muitos de vocês, mas é melhor se acostumar a ouvi-la. Muitos de nós ainda temos que aprender a falar. Muitos de vocês ainda tem que aprender a ouvir e nos entender.

Precisamos de pessoas que têm fé em nós. Você tem que entender que nós, como você, não queremos viver em instituições. Queremos viver e trabalhar em nossas comunidades. Contamos com seu apoio às pessoas com deficiência mental e suas famílias. Contamos com seu apoio a ILSMH e suas associações-membros.

Acima de tudo, exigimos que vocês nos dêem o direito de fazer escolhas e tomar decisões sobre nossas próprias vidas “.

O protocolo da ONU não permite aplausos, mas as palmas – e as lágrimas nos olhos – mostraram que esta não era uma ocasião comum.

Fonte: http://www.inclusion-international.org/about-us/history/

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Governo do Estado investe para ampliar inclusão digital no interior

 


    O Governo do Pará está ampliando a oportunidade de acesso da população aos cursos de introdução à informática e internet gratuita aos cidadãos. Até o fim deste ano, 116 novos Infocentros devem ser implantados em 60 cidades do interior, garantindo a inclusão digital para uma parcela considerável - quase 80% - da população do Estado.

    De acordo com o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Estado, Alex Fiúza de Mello, a expansão do projeto continua a partir de agosto com o apoio do Governo Federal, a partir do programa Telecentros BR, que assegura os recursos necessários para a implantação desses espaços. "Com o auxílio dos Infocentros o cidadão pode ser alfabetizado digitalmente, o que confere à ação do governo um caráter de cidadania, pois dá a pessoas de baixa renda que nunca tiveram contato com computadores a oportunidade de aprender e ter acesso à era digital”, afirma o secretário.

    Alex Fiúza ressaltou, ainda, que os benefícios oferecidos pelos Infocentros vão além da inclusão digital: “Os cidadão são incentivados a procurar os seus diretos, buscar informações e conhecimento por meio de pesquisas na rede mundial de computadores”.  

    Neste primeiro semestre, quatro Infocentros já foram entregues à população, sendo dois em Belém e outros dois em São João de Pirabas, nordeste paraense. Todos possuem o mesmo padrão, com 11 microcomputadores e dois monitores capacitados, que supervisionam as máquinas e repassam noções de informática básica.

    Uma nova unidade em Paragominas já está em fase de instalação. Outros municípios receberão o projeto até o final do ano, com os recurso do Governo Federal. De acordo com Valéria Sousa, coordenadora dos Infocentros pela Sedect, já são 186 as unidades de acesso em todo Pará, e até 2015 a meta é disponibilizar mais 300 centros em todas as regiões parenses. 

    “O projeto está passando por uma estruturação que permitirá a ampliação do acesso à informática e à internet para toda a população”, garante a coordenadora. Segundo Valéria, com a estruturação dos Infocentros será possível disponibilizar também aos cidadãos serviços públicos como a emissão de documentos, registros de Boletim de Ocorrência e outros.

    Melhor conexão – Paralelamente à ampliação dos Infocentros, o Governo do Estado está ampliando e potencializando a rede Navegapará por meio do projeto Novas Redes Metropolitanas (NRM). O novo sistema garantirá a mesma qualidade de internet oferecida na capital, com a instalação de anéis de fibra ótica nas cidades do interior. 

    A meta é implantar o projeto em Santarém até o final do ano, melhorando o acesso da população à internet. A fase de implantação deve durar cerca de três meses, atendendo ainda os municípios de Marabá, Altamira e Castanhal. A rede oferecerá o mesmo sinal para os municípios vizinhos, otimizando o uso de aplicativos de última geração capazes de fornecer diversos serviços à sociedade como Telemedicina, Ensino à Distância (EAD), videoconferência, internet em banda larga e telefonia sobre internet, entre outros, disponíveis até então somente em Belém.

    Thiago Melo - Secom

    Audiodescrição na TV brasileira ! Agora vai!

    A partir do dia 1º de julho, as emissoras de TV aberta que operam o sinal digital vão ter de transmitir pelo menos duas horas por semana de programas com audiodescrição. Conheça o recurso na reportagem da TV MiniCom, produzida pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério das Comunicações. Versão com audiodescrição.
    Ofício ONCB sobre Audiodescrição
    Em cerimônia realizada no auditório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República dia 20 de junho de 2011, a ministra-chefe de direitos humanos Maria do Rosário, o secretário-executivo do Ministério das Comunicações César Alvarez, o Secretário Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Antonio José Ferreira, na presença de representantes de diversas instituições da sociedade civil, além de dezenas de pessoas com deficiência e jornalistas, anunciaram o início inadiável e irrevogável das transmissões de programas de televisão com o recurso de acessibilidade da audiodescrição, conforme previsto na Portaria 188/2010 do Ministério das Comunicações. A ONCB compareceu ao evento representada por Mizael Conrado, bi-campeão paraolímpico de futebol.
    A ONCB apóia a declaração da ministra Maria do Rosário ao dizer que duas horas semanais de programação audiodescrita são muito pouco e que nossa meta é chegarmos à totalidade da programação sendo transmitida com o recurso. Cumpriremos o que nos solicitou o secretário-executivo César Alvarez, ao dizer que a participação das pessoas com deficiência será muito importante, fiscalizando a aplicação da Portaria 188 pelas emissoras de televisão e denunciando os casos de descumprimento.
    No dia seguinte à realização deste evento, o presidente da Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, Emanuel Carneiro, divulgou no site da entidade uma nota que demonstra a insatisfação dos radiodifusores com a obrigação de veicularem programas audiodescritos.
    A respeito das declarações contidas nesta nota, a Organização Nacional de Cegos do Brasil, entidade representativa e de defesa de direitos de um segmento da população que o censo realizado pelo IBGE em 2000 estimou em mais de 16 milhões de brasileiros com algum grau de deficiência visual, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:
    1. A exigência de duas horas semanais de programação audiodescrita representa irrisórios 1,2% da programação exibida no mesmo período. Daqui há distantes dez anos, quando a exigência será de vinte horas semanais, representará menos de 12% da totalidade da programação.
    Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada pelo IBGE em 2009 revelou que 95,7% dos lares brasileiros possuem pelo menos um aparelho de televisão. Portanto, é inquestionável que a televisão constitui-se no mais democrático e mais abrangente meio de difusão de cultura, informação, educação e lazer.
    Consideramos estes percentuais um flagrante desrespeito a nossa Carta Magna, emendada pelo Decreto Legislativo 186/2008 – Convenção Sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas, que garante a todos os brasileiros, sem distinção, o direito inalienável à cultura, à informação, à educação e ao lazer.
    2. Pesquisas realizadas por diversas universidades brasileiras, norte-americanas e européias comprovam que o entendimento, por pessoas com deficiência, de filmes, peças de teatro, programas de televisão e demais produtos audiovisuais aumenta em até 80% quando acompanhados da audiodescrição.
    Pesquisadores e produtores comerciais de audiodescrição em todo o mundo são unânimes ao afirmar que o recurso deve ser “preferencialmente” inserido nos intervalos dos diálogos, sendo “necessária” a sobreposição sempre que a informação que estiver sendo transmitida de forma visual for mais importante que a informação falada para a compreensão da trama. Mesmo em programas em que os diálogos predominam sobre as imagens, haverá menos necessidade de intervenções do audiodescritor, mas sempre haverá informações visuais importantes para contextualização que deverão ser descritas para as pessoas com deficiência.
    Apesar de existir e ser aplicada em outros países desde a década de 1980, a audiodescrição ainda é uma novidade para os radiodifusores brasileiros, portanto, é compreensível alguma confusão da Abert em relação à aplicação do recurso, mas salientamos que esta questão já foi exaustivamente discutida em diversas consultas públicas e reuniões realizadas entre o Ministério das Comunicações, a Abert e representantes da ONCB. Em diversas ocasiões demonstramos que o Brasil possui audiodescritores em quantidade e qualidade suficiente para atender a demanda inicial estabelecida na Portaria 188. Estamos seguros de que esta confusão será desfeita na medida em que as emissoras de televisão passarem a produzir e veicular programas audiodescritos.
    3. Grande parte dos países europeus estão bastante avançados no que se refere à promoção da acessibilidade para pessoas com deficiência, o próprio Parlamento Europeu publicou farta legislação neste sentido, em especial no campo da acessibilidade na comunicação.
    Na Inglaterra, por exemplo, o Ofcom exige que todas as emissoras de televisão, abertas e por assinatura, apresentem relatórios trimestrais da quantidade de programas veiculados com legendas para surdos, audiodescrição e ainda com interpretação na língua de sinais. No relatório consolidado de 2010, o próprio Ofcom destaca que, das 72 emissoras de televisão, abertas e por assinatura, existentes naquele país, 69 não apenas cumpriram como voluntariamente excederam a quota exigida de 10% da programação, algumas ultrapassando o índice de 40% de suas transmissões com audiodescrição.
    Esta informação do Ofcom (disponível no site Accessibility Full Report for 2010demonstra e comprova que o custo da produção e transmissão de programas audiodescritos não representa qualquer ônus excessivo para as emissoras. Reforçamos: várias emissoras, por iniciativa própria, praticaram o dobro do percentual a que estão obrigadas, outras o triplo, algumas chegaram a quadruplicar, conforme se pode constatar no link indicado.
    4. Mas a implantação de audiodescrição nos programas de televisão tem sido mal compreendida pelos radiodifusores de alguns países. Em Portugal, a norma editada pela ERC – Entidade Regulamentadora da Comunicação está suspensa por medida judicial provocada por algumas emissoras comerciais. Nos Estados Unidos, norma editada pelo FCC – Federal Communications Commission esteve judicialmente suspensa entre 2002 e 2010.
    Nos Estados Unidos, a suspensão da norma do FCC deu origem a um movimento conhecido como Vídeo Description Restoration Act. Após oito anos de luta, em outubro de 2010 o presidente Obama sancionou a lei conhecida como 21 th Century Communication and Information Act, que determina a transmissão de pelo menos 50 horas de programação audiodescrita pelas emissoras de televisão daquele país. A princípio, 50 horas por trimestre pode parecer uma quantidade bastante pequena, e realmente o é, mas, se transformarmos a exigência brasileira de duas horas semanais para o mesmo período de apuração estabelecido na legislação americana, veremos que os radiodifusores brasileiros estão obrigados a apenas 24 horas por trimestre.
    Por outro lado, há países que, mesmo não possuindo legislação específica, já aplicam a audiodescrição em parte de sua programação. Pode-se tomar como exemplo a Argentina, país que já anunciou sua opção pelo SBTVD, vem inserindo a audiodescrição em alguns de seus programas por meio do SAP analógico, mesmo antes da Lei de Medios ser regulamentada. Certamente, a aplicação no Brasil de todos os recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência é um importante diferencial competitivo para nosso sistema de televisão digital que pretendemos difundir em outros países.
    5. Outro ponto que gostaríamos de discutir nas declarações do presidente da Abert é a afirmação de que os transmissores de várias emissoras não têm capacidade de transmitir o segundo canal de áudio, e que o sinal distribuído por satélites sofre interferências.
    Desde quando o Ministério das Comunicações realizou a primeira consulta pública para discutir com os empresários da comunicação e com a sociedade a aplicação de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência na televisão, a Abert vem insistindo em que a audiodescrição fosse exigida somente na televisão digital, alegando que este sistema é o que oferece melhores recursos para esta finalidade, no que foi plenamente atendida com as alterações introduzidas pela Portaria 188/2010 do Ministério das Comunicações. Todos os aparelhos de TV digital disponíveis no mercado têm capacidade para até quatro canais de áudio, dois deles de alta qualidade. A informação que temos é de que a audiodescrição será transmitida por um dos canais de baixa resolução. Portanto, totalmente compatível com os requisitos definidos para o SBTVD ainda em 2006.
    Notícia publicada algumas semanas atrás no site da Abert, informava suas afiliadas sobre a intenção de realizar seminários regionais para esclarecimentos de dúvidas sobre os recursos de acessibilidade. Parabenizamos a entidade por esta iniciativa que, mesmo tardia, certamente será muito produtiva e importante para fazer que os sinais da audiodescrição e do closed caption sejam recebidos com qualidade por milhões de brasileiros ávidos e ansiosos para se tornarem consumidores dos programas televisivos.
    6. Finalmente, também não podemos deixar de alertar para o fato de que os aparelhos de televisão digital são hoje os mais caros existentes nas lojas e, de acordo com estatísticas oficiais, aproximadamente 80% dos 25 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência estão justamente entre os cidadãos de menor poder aquisitivo. Talvez, muito mais que qualquer possível dificuldade técnica, seja este o maior empecilho para a difusão da acessibilidade na televisão para as pessoas com deficiência.
    Sendo estes os esclarecimentos que consideramos necessários, a Organização Nacional de Cegos do Brasil coloca-se a disposição para, a partir de 1º de julho, trabalhar de mãos dadas com o Ministério das Comunicações e a Abert por uma televisão que promova a equiparação de oportunidades e igualdade nas possibilidades de participação para todos os brasileiros, com e sem algum tipo de deficiência. “Nada Sobre Nós, Sem Nós”, este é o lema adotado pelas pessoas com deficiência de todo o mundo após a publicação da Convenção Sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, que o Brasil foi um dos primeiros países a assinar.
    Fonte: Organização Nacional de Cegos do Brasil

    Sentir frio demais foge da normalidade

    É só baixar a temperatura dos termômetros para tirar casacos e cobertores do fundo do armário Afê, que frio! - com o objetivo de aquecer o corpo e esquentar os pés e mãos gelados. Na maioria das vezes, o casulo de roupas quentinhas dá mais do que conta do recado, mas, mesmo assim, tem gente que pena com a tremedeira, boca roxa e bateção dos dentes. E, de fato, para determinadas pessoas, a sensação de frio é bem mais intensa. Porém, na maioria das vezes, esta hipersensibilidade pode esconder algum problema de saúde.

    Hipotiroidismo e Síndrome de Raynaud são exemplos de doenças que provocam constrangimento nos pacientes. O MinhaVida conversou com especialistas para tirar as dúvidas sobre o assunto.

    Tireóide em pane
    A tireóide é responsável pela produção de uma série de hormônios que regulam todas as funções do nosso organismo, inclusive as responsáveis pelo controle térmico. Mas, quando essas susbstâncias estão com níveis abaixo do normal, caracteriza-se o hipotiroidismo.

    "Com esses hormônios desregulados, o corpo perde um pouco da sua capacidade de se aquecer com o próprio metabolismo e a pessoa sente mais frio", explica o endocrinologista Frederico Marchisotti, do laboratório Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica, de São Paulo.

    Outro sintoma da baixa hormonal da tireóide é que o coração também bate em uma frequência menor do que o normal. Essa situação desacelerada é caracterizada como bradicardia o contrário de taquicardia, quando os batimentos são acelerados.

    "Com o tratamento hormonal e o uso de medicamentos, este sintoma desaparece e as funções cardíacas voltam ao normal", explica a especialista em cirurgia vascular Aline Lamaita, de São Paulo.

    Síndrome de RaynaudNos dias frios, o corpo humano reage naturalmente à mudança de temperatura gerando uma vasoconstrição das artérias.Quando há um desequilíbrio deste mecanismo natural, acontece a falta de irrigação do sangue nas extremidades do corpo. É quando mãos, pés, pontos de dedos e até o nariz chegam a ficar roxos. Com o comprometimento da irrigação, o sangue deixa de aquecer o corpo e a pessoa sente mais frio.

    Nos casos mais simples, basta agasalhar os membros mais afetados para aquecer. Já nos casos mais delicados, que têm origem cardiovascular, o aparecimento de Raynaud se dá em razão de alguma doença reumática e o paciente pode sentir pontadas fortes nas extremidades e ficar com as mãos e pés ainda mais escurecidos.

    Baixa ingestão de calorias
    Pessoas mais magras são mais friorentas? O assunto gera controvérsias. Para Ellen Simone Paiva, diretora clínica do Centro Integrado de Terapia Nutricional, de São Paulo, a hipersensibilidade ao frio não está relacionada à ingestão calórica em si, mas a sua consequência, que é o peso do indivíduo. "Assim, pessoas mais gordinhas sentem menos frio, já que a gordura é um isolante térmico, e pessoas magras sentem mais frio por lhes faltarem maior quantidade deste isolante", explica

    Por outro lado, o endocrionologista Frederico Marchisotti acredita que frio e calorias podem estar relacionados se levarmos em conta o fato de que o organismo precisa de energia para produzir calor e que só a obtemos através da ingestão de alimentos, embora não haja nenhuma teoria cientificamente comprovada sobre o assunto.

    Aprenda a combinar botas com calças, saias e vestidos

    Comprimentos e modelos podem ter efeitos variados no look
    Elas são versáteis e, quando usadas da maneira certa, compõem um look moderno e cheio de estilo. Cada dia com mais opções de modelos e texturas, as botas de couro e materiais sintéticos permitem parcerias com a maioria das peças do guarda-roupa feminino. "A mulher hoje tem muitas alternativas. O importante não é saber o que está certo ou errado, mas sim conhecer seus pontos fracos e fortes para disfarçar defeitinhos e evidenciar o que se tem de melhor", explica a personal stylist Cris Viana.

    Por exemplo, mulheres de baixa estatura ou com excesso de peso devem evitar as de comprimento médio, que cortam o meio da panturrilha e encurtam as pernas. De modo geral, lembre-se: botas de salto alto e cano longo sempre deixam qualquer produção com muita classe. Como o investimento costuma ser salgado, mas também duradouro, confira algumas das versões mais usadas nas últimas temporadas e veja se encaixam no seu perfil:
    Descubra qual bota faz mais o seu estilo - Foto: Getty Images
    Ankle boot
    Vestida com calça, parece uma bota comum, mas é curtinha e vai só até o tornozelo (ankle, em inglês). Pode ou não ter os dedinhos à mostra, daí a mistura: peep ankle. Boa substituta dos escarpins, ela tende a alongar as pernas quando há alguma fenda no peito dos pés. Se você tem pernas grossas, afine-as com meia-calça da cor da bota. Essa também é a saída para as mais baixinhas, já que o contraste do calçado com a pele pode achatar seu corpo.

    Cano médio
    São ideais para quem quer, além de ficar quentinha, parecer mais magra. De comprimento até quase o joelho, vão bem com calça skinny por dentro ou com meia-calça da mesma cor. Cores diferentes "fatiam" a silhueta. Para não errar, lembre-se de que bota clara engrossa as pernas, enquanto a escura, afina.
    Botas podem ser usadas com vários tipos de roupas - Foto: Getty Images
    Cuissarde ou over boot
    Até as coxas, o cano tem tamanho suficiente para proteger as pernas e fazê-las brilhar na produção. O ideal é usá-las em composições monocromáticas, com peças sobrepostas, como maxicardigans, trench coats e casacos compridos. As cuissardes só ficam bem em mulheres de pernas finas. Se você não tem muita altura, as botas podem deixar seu visual pesado e desarmônico. A melhor saída é investir no pretinho básico. "Elas ficam ótimas com minissaias, vestidos e peças justas, desde que sejam mais fechadas e menos decotadas, para balancear o visual. Como esse tipo de bota já tem forte apelo sensual, ousar nas roupas pode deixar seu look vulgar", afirma Cris.

    Cowboy
    Cheia de detalhes e texturas mescladas, a bota cowboy compõe melhor os looks despojados. Se quiser fugir do visual caipira, evite a dupla com roupa xadrez. Prefira combiná-las com jeans, shorts, vestidos românticos ou estampados. 

     

    De saltos
    A bota de salto alto ajuda a compor produções elegantes e formais, além de deixar você mais alta. Pode ser usada tanto por dentro como por fora da barra da calça. Também fica ótima com saias e vestidos de pouco comprimento. Os modelos de bico fino ajudam a alongar ainda mais a silhueta.

    Montaria
    Inspiradas nos modelos de equitação - de cano médio, bico redondo e fivelas ou elásticos - elas garantem produções casuais e descontraídas. Use-as por cima de calças mais justas, como leggings e skinny. Neste caso, vista peças soltas na parte de cima para equilibrar o visual. "Além disso, são boas para pessoas com pernas grossas, porque fica mais fechadinha na panturrilha", afirma a especialista.

    Veja outros truques para:
    - Parecer mais estreita: Use botas com meia-calça da mesma cor. A parceria deixa o corpo em uma única linha, alongando a silhueta. Adicione cor em detalhes e acessórios como bolsa, batom ou esmalte.
    -Ganhar formalidade: A combinação de vestido reto, meia-calça e bolsa de mão fica elegante em qualquer uma. Aposte em cores neutras como a cinza e o preto.
    -Ficar atual: Ankle boots ou peep ankle são a cara da atualidade. Combine-as com outras tendências como legging de renda, blazer de ombros estruturados e bolsa com alça de correntes.

    Combata a insônia com 15 hábitos

    Uma noite de sono tranquila pode depender de alimentos certos e horários regulares
    Ter uma boa qualidade de sono, além revigorar as energias, é essencial para manter a saúde em dia. Por isso, quem sofre com insônia pode apresentar uma série de problemas, como depressão e ansiedade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 35 milhões de pessoas no Brasil têm o problema, a maioria delas do sexo feminino. "A insônia afeta mais as mulheres do que os homens. Provavelmente, isso ocorre porque elas apresentam uma maior prevalência de doenças que estão associadas à insônia, tais como a ansiedade, a depressão e a fibromialgia", explica o médico especializado em medicina do sono Daniel Inuoe, do Centro de Medicina do Sono do Hospital Santa Cruz.

    Com algumas mudanças de hábito, entretanto, é possível diminuir os riscos de ter uma noite mal dormida. A seguir, veja 15 dicas para evitar esse problema e melhorar a qualidade do sono.

    1. Tenha um horário regular para dormir
    Dormir todos os dias na mesma hora faz o corpo se "programar" para descansar sempre no mesmo período do dia. "Definir um horário fixo tanto para dormir como para acordar diariamente faz com que o corpo gaste e recupere as energias de forma mais eficiente, o que diminui as chances de insônia", explica o médico especializado em medicina do sono Daniel Inuoe. 

    2. Mantenha o peso idealNão ter cuidados com o corpo, além de trazer problemas à saúde, ainda atrapalha o sono. "Pessoas obesas têm mais chances de enfrentar problemas como o ronco e a apneia, o que torna a qualidade do sono bastante baixa", diz o coordenador do setor de ritmos biológicos Sílvio Júnior, do Centro de Estudos em Sonolência e Acidentes da Unifesp. Quando uma pessoa está no sobrepeso, acumula tecido adiposo na região do pescoço. Essa massa extra pressiona as vias respiratórias e, somada a determinadas posições na cama, causa o estreitamento da faringe (ronco) e, em alguns casos, até o fechamento (apneia).  

    3. Não fique na cama
    Um dos erros mais comuns de quem sofre com insônia é insistir em ficar na cama até conseguir dormir. "Se o sono não vier em até meia hora, o melhor é levantar e procurar alguma atividade relaxante, como meditação ou ler um livro", explica Daniel Inuoe

    4. Evite consumir cafeína após 18 horas
    Os alimentos que contêm cafeína podem provocar insônia, já que essa substância é um estimulante. Por isso, é necessário evitar o seu consumo excessivo depois do almoço. Confira os alimentos que contêm a cafeína: café, guaraná, energéticos, alguns refrigerantes e chás (mate, preto, verde). 

    5. Largue o cigarro
    A insônia faz parte da enorme lista de malefícios que o cigarro pode causar. "Durante o sono, o fumante entra em um estado de abstinência à nicotina, o que acaba provocando despertares ao longo da noite", explica o médico especializado em medicina do sono Daniel Inuoe. 

    6. Modere o álcoolMesmo que o álcool ajude algumas pessoas a pegar no sono, por possuir efeito relaxante, ele prejudica a fase profunda do sono. Ele também pode agravar casos de ronco e apneia, já que provoca o relaxamento dos músculos da traqueia. Por isso, deve ser evitado principalmente por pacientes diagnosticados com esses dois problemas.

    7. Prepare o ambiente ideal
    Ter um local confortável para dormir é essencial para ter uma boa noite de sono. Pelo mesmo motivo, boa parte dos casos de insônia é causada pela má escolha do travesseiro, do colchão e dos lençóis. "O nosso corpo precisa estar totalmente relaxado para que consigamos dormir. Por isso, usar um travesseiro com muito baixo ou muito alto- o ideal é que ele tenha 10 centímetros de altura- e um colchão muito duro podem atrapalhar o sono", diz Daniel Inuoe.
    Quanto à roupa de cama, a melhor indicação é a de produtos naturais, como o algodão. Eliminar os sintéticos ajuda no sono e tem influência até no bom humor ao despertar. 

    8. Não ligue a TVAlém de interromper a ação da melatonina, hormônio responsável pelo sono que só é produzido em ambientes escuros, devido à claridade, a televisão também atrapalha por fazer barulho de forma não contínua. "O nosso sono é dividido em fases: o sono superficial e o sono profundo. É apenas na segunda fase que o corpo consegue recuperar as energias. Quando há uma alternância entre sons altos e baixos, o organismo fica em estado de alerta e não conseguimos passar para a fase profunda do sono", diz Daniel Inoue. O mesmo acontece com quem tem mania de ouvir músicas agitadas na hora do repouso.
    Outro ponto negativo da televisão é que, quando uma pessoa está com insônia e vai logo ver um programa na TV, fica mais concentrada. "Isso só nos deixa com menos sono ainda", explica o especialista.

    9. Tenha uma alimentação leve
    É muito importante ter o cuidado de diminuir a ingestão de comidas gordurosas e evitar o consumo de grandes quantidades de alimentos antes de dormir. Assim, você facilitará a digestão, favorecerá o sono e evitará que as colorias desses alimentos sejam armazenadas na forma de gordura, uma vez que, durante a noite, o metabolismo é mais lento.

    10. Coma banana!
    Um estudo feito por pesquisadores da Universidade das Filipinas mostrou que pessoas que ingerem bananas pouco antes de dormir têm menos chances de insônia. "A banana é um alimento muito rico em triptofano, que é um precursor da serotonina que, por sua vez, é um neurotransmissor que está presente nas áreas controladoras do sono no cérebro", explica o especialista Daniel Inoue.
    Outros alimentos ricos em triptofano são: ovo, carne, peixe, amendoins, leite e seus derivados.

    11. Acupuntura
    Segundo o acupunturista Adriano Zumstein, do Instituto Brasileiro de Acupuntura e Massoterapia, a acupuntura consegue tratar aproximadamente 90% dos casos de insônia, já que combate a ansiedade e o estresse. "O tratamento é feito entre cinco e dez sessões, o que demora por volta de um mês", diz o especialista. 

    12. Leia um livro
    Boa para o corpo e para a mente, a leitura ajuda a melhorar a insônia, mas é preciso ter alguns cuidados. "A leitura de livros pode facilitar o início do sono, porém é preciso lembrar que, para uma leitura adequada, é necessária uma boa iluminação. A luz quando muito intensa atrapalha o sono, porque inibe a liberação da melatonina, um hormônio indutor do sono", explica Daniel Inoue. Além disso, é preciso escolher um livro com leitura fácil, que não precise de muita concentração para ser lido e entendido. 

    13. Beba chá morno
    Os chás que não são à base de cafeína, em geral, ajudam a relaxar e, por isso, são bons indutores do sono, mas o alerta fica para a temperatura da bebida: "Um chá de camomila ou erva-doce, por exemplo, faz bem porque relaxa, só que as altas temperaturas elevam a temperatura corporal e isso também pode causar insônia. Por isso, prefira chás em temperatura ambiente e evite bebidas muito quentes antes de dormir", diz o coordenador do setor de ritmos biológicos Sílvio Júnior, do Centro de Estudos em Sonolência e Acidentes da Unifesp.

    14.Faça ioga
    Segundo um estudo feito pelo Tri Health Sleep Center, em Cincinatti, nos Estados Unidos, a ioga pode auxiliar o combate aos problemas do sono relaxando músculos tensos, liberando a tensão e colocando o corpo em um profundo estado de relaxamento, facilitando o sono de quem tem dificuldade de dormir.  

    15. Evite atividades estimulantes antes de dormirDe acordo com Daniel, exercícios físicos realizados no período noturno podem atrapalhar o sono, já que várias substâncias estimuladoras, como o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina, são lançadas na corrente sanguínea durante e após as atividades. Durante crises de insônia, há pessoas que começam a fazer exercícios por achar que isso gastará energia. 

    ·   ATENÇÃO!

    Além das dicas acima, é sempre importante que o paciente seja avaliado por um médico especialista em Medicina do Sono, com o objetivo de identificar possíveis doenças ou condições prévias que favoreçam o surgimento de insônia, ronco e apnéia do sono! Cuide-se! Dr. Murilo Lima (médico do sono - http:// drmurilolima. wordpress. com)

    sexta-feira, 1 de julho de 2011

    Fumante passivo sofre em dobro

    Quem é obrigado a engolir a fumaça tem duas vezes mais risco de ter câncer de pulmão

    Os malefícios do cigarro estendem-se aos chamados fumantes passivos. O problema é que, além de engolir a fumaça a contragosto, eles acabam expostos a mais riscos do que o viciado em si. Sim, estamos falando daquelas pessoas que convivem com fumantes, absorvem suas baforadas ou mesmo freqüentam ambientes cheios do tóxico véu cinza. A fumaça da ponta do cigarro tem três vezes mais elementos cancerígenos , alerta a psicóloga Silvia Ismael, do Hospital do Coração, em São Paulo.

    Por isso, estudos mostram que quem fuma por tabela têm duas vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão do que os fumantes ativos e 40% mais chance de um infarto. Há pesquisas que comprovam também o aumento da incidência de catarata e diabete nos fumantes passivos.

    O cenário é ainda mais assustador em relação às crianças. Sabes-se que no mundo há 700 milhões de pequenos que padecem de doenças respiratórias

    por causa do fumo passivo. Isso sem contar os bebês expostos ao cigarro ainda na barriga da mãe. Durante a gravidez, as tragadas levam ao amadurecimento precoce da placenta, que pode disparar um parto prematuro, comprometem o desenvolvimento do feto e podem causar problemas respiratórios ao nascer, além do baixo peso. E há médicos que ainda recomendam fumar menos! , espanta-se Silvia. Para essas pequenas vítimas, fumar menos não melhora a situação.


    O risco dos fumantes passivos tem relação com a sensibilidade individual e a quantidade da exposição , esclarece Ciro Kirchenchtejn. Conforme a carga recebida, a pessoa pode desenvolver exatamente as mesmas doenças de quem fuma por opção.

    Quais são os efeitos do fumo passivo?
    A fumaça do seu cigarro (fumo passivo) pode colocar a saúde dos seus familiares em risco. Mesmo que você tente fumar fora de casa, ainda traz nicotina para sua casa por meio das suas roupas, mãos e dos cabelos.

    Bebês cujos pais fumam:
    Estão mais propensos a ter infecções de ouvido, pneumonia e bronquite nos primeiros anos de vida
    Têm um risco maior de morrer precocemente
    Possuem maiores chances de desenvolver um câncer ou problemas do coração
    Estão mais propensos a serem fumantes também

    Quando você pára de fumar, reduz todos esses riscos de ter problemas de saúde na sua família. Além disso, aumenta a probabilidade de seus filhos não fumarem ou pararem de fumar, caso eles já fumem.

    quarta-feira, 29 de junho de 2011

    DICAS PARA A SALA DE AULA

     Segundo Sandra Rief (2001), especialista em Educação Especial e Recursos de Aprendizagem, algumas condições pré-existentes podem desencadear problemas para portadores de TDAH na sala de aula, estas condições podem ser:
                Físicas: fatores internos como fadiga, fome, desconforto físico etc.
                Meio ambiente: barulho, posição da carteira, localização da sala, etc.
                Atividade ou evento específico: alguma coisa frustrante, tediosa, inesperada, superestimulante.
                Tempo específico: hora do dia, dia da semana.
                Demonstração de habilidade ou necessidade de atuação: no comportamento nas relações sociais na produção acadêmica (expectativa de fazer algo difícil, desagradável ou que provoque ansiedade).
                Outras: interação negativa com alguém ser alvo de brincadeiras ou provocações etc.
                Com o objetivo de prevenir problemas na sala de aula, o professor deve procurar alterar essas condições pré-existentes. Algumas sugestões:
    • criar um ambiente “seguro”, reduzindo o medo e o stress.
    • Aumentar a estrutura.
    • Estabelecer uma rotina previsível (são difíceis de se adaptarem a novas situações).
    • Ajustar os fatores ambientais (temperatura, iluminação, móveis, estímulos visuais etc.).
    • As regras, limites e procedimentos a serem seguidos devem ser claramente definidos, ensinados e praticados.
    • O ensino do sucesso de todos.
    • Estrutura as lições de modo a permitir participação ativa e resposta interessada.
    • Proporcionar mais escolhas e opção a fim de provocar interesse e motivação.
    • Proporcionar mais tempo e mais espaço; se necessário, mudar o tempo e o espaço.
    • Proporcionar ritmo adequado.
    • A supervisão deve ser mais freqüente.
    • Aumentar as oportunidades de movimentação física.
    • Ensinar estratégias de auto-controle (relaxamento, visualização, respiração profunda, resolução de problemas, auto-monitoramento).
    • Utilizar as estratégias de “cantinho para pensar”, “tempo para se acalmar”, “pausa para descanso”, como medida preventiva.
    • Utilizar tática de redirecionamento e preparar para as transições.
    • Trabalhar as dificuldades acadêmicas, sociais e comportamentais.
    • Proporcionar acomodações e adaptações segundo a necessidade.
    • Proporcionar maior encorajamento e retorno positivo.
    • Aumentar o número de dicas e incentivos, especialmente os “toques” visuais e sinais não verbais.
    Usar voz calma, bem como uma tranqüila linguagem corporal - requisitar, redirecionar e corrigir de maneira eficiente e respeitosa.
    PERFIL ACADÊMICO COMUM
      Leitura:
     
    • Fluência média, identificação das palavras;
    • Compreensão desigual;
    • Perde-se na leitura freqüentemente;
    • Precisa ler oralmente, não consegue ler silenciosamente;
    • Esquece o que lê;
    • Tem baixo desempenho em trechos longos;
    • Desempenho médio em trechos curtos;
    • Evita ler.
      Linguagem escrita:    
    • Idéias criativas;
    • Problemas de planejamento e organização;
    • Não consegue começar;
    • Caligrafia imatura;
    • Fraco em ortografia;
    • Velocidade lenta;
    • Produção mínima.
    • Mecânica fraca (letra maiúscula/pontuação).
      Matemática:  
    • Altamente inconsistente;
    • Erros por desatenção;
    • Conceitos matemáticos médio/forte;
    • Execução lenta com lápis/papel;
    • Lembrança fraca de fatos.
    • Alinhamento numérico fraco.  
    Habilidades de estudo/organizado:  
    • Perde coisas freqüentemente;
    • Fraco em anotações;
    • Esquece matérias e tarefas;
    • Fraco em priorizações e planejamentos;
    • Má administração de tempo;
    • Tarefas incompletas.
    • Precisa de esclarecimentos e lembretes freqüentes.  
    TALVEZ NÓS PRECISAMOS MODIFICAR  
    • Materiais;
    • Métodos;
    • Ritmo;
    • Ambiente;
    • Tarefas;
    • Exigências de tarefas;
    • Notas;
    • Testes / Avaliação;
    • Feedback;
    • Reforço;
    • Entrada de idéias / Rendimento;
    • Nível de suporte;
    • Grau de participação;
    • Tempo distribuído;
    • Tamanho / Quantidade.  
    SETE ELEMENTOS CHAVE PARA O SUCESSO  
    1º Conseguindo e mantendo atenção:  
    • Uso de novidades e objetos;
    • Técnicas eficazes de questionamento;
    • Uso de organizadores gráficos;
    • Sinais auditivos;
    • Uso de retro-projetores (para uma melhor visualização);
    • Respostas escritas associadas com atividades auditivas.  
    2º Administração na sala de aula:
    • Clareza na comunicação e expectativas;
    • Uso de monitores;
    • Regras e conseqüências expostas;
    • Uso de controle por proximidade;
    • Alunos repetem instruções;
    • Sinais, elogios e reforço para períodos de transição;
    • Revisão de regras e auto-monitor em situação de grupo.  
    3º Aprendizado participativo e oportunidades de respostas:  
    • Aprendizado cooperativo:
    - uso de parceiros;
    - membros do grupo tem papéis determinados;
    - responsabilidade e auto monitoria.
    • Resposta em grupo (quadro de giz).  
    4º Organização e habilidades de estudo:  
    • Uso de programas e expectativas da escola;
    • Uso de cadernos e calendários de tarefa;
    • Tarefas esclarecidas e expostas;
    • Sistema de estudo entre parceiros (por tutor).  
    5º Instrução multisensorial e acomodação para estilos de aprendizado:
    • Uso de melodia e ritmo;
    • Apresente instrução visualmente / auditivamente;
    • Fazer uso de computadores;
    • Ambiente físico adequado ao trabalho dos alunos;
    • Ofereça escolhas de onde trabalhar;
    • Áreas privativas e escritórios para estudo;
    • Áreas de sala formal / informal;
    • Uso de fones ante-ruídos e outros artifícios como, por exemplo, luz local e não luz difusa;
    • Intervalo para alongamento e exercícios.  
    6º Modificação na produção escrita:
    • Testes orais e transcrição escrita;
    • Rubricar trabalhos / tarefas menores;
    • Habilidades de processador de textos e digitação;
    • Uso de opções de papel (ex.: computador ou folha milimetradas).  
    7º Práticas de colaboração
    • Equipes de estudo (equipes de consulta);
    • Ênfase em parcerias com os pais;
    • Ensinar em equipe para facilitar a instrução e a disciplina;
    • Uso de monitores de idades diferentes;
    • Necessidade de tempo para planejamento e apoio administrativo.  
    O QUE MANTER EM MENTE COM ALUNOS QUE SÃO UM DESAFIO  
    • Planeje uma resposta e evite “reagir”;
    • Elogie, encoraje gratifique o desenvolvimento da melhora;
    • Mude o que você pode controlar... Você mesmo (atitude, linguagem do corpo, voz, estratégia / técnicas, expectativas, foco);
    • Seja firme, justo e estável;
    • Permaneça calmo;
    • Evite bater de frente (medir forças).
    ESTRATÉGIAS PARA ATRAIR A ATENÇÃO E PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS
    • faça uma pergunta interessante e especulativa, mostre uma figura, conte uma pequena estória ou leia um poema relacionado para gerar discussão e interesse para a próxima lição.
    • Tente um pouco de brincadeira ou tolice, drama (use objetos e estórias) para conseguir a atenção e estimular interesse.
    • Mistério. Traga um objeto relevante a lição em uma caixa, sacola ou fronha. Isto é uma maneira excelente de gerar especulação e pode levar a criança a ótimas discussões e atividades escritas.
    • Mostre animação e entusiasmo sobre a próxima lição.
    • Diminua o tempo que o professor fala. Faça o máximo de esforço para aumentar mais as respostas dos alunos (dizendo ou fazendo alguma coisa com a informação que está sendo ensinada).
    • O uso de parceiros (duplas) é talvez o método mais eficaz de maximizar o envolvimento do aluno. O formato, de parceiros assegura que todos estejam envolvidos ativamente não apenas alguns. “Vire-se para seu vizinho/parceiro e...” Os formatos de parceiros são ideais, para previsão, compartilhar idéias, esclarecer instrução, resumir informações / treinar / praticar (vocabulários, ortografia, operações matemáticas), compartilhar atividades escritas. Exemplos: “Junte-se a seu colega e dividam suas idéias sobre...”. Depois de dar um tempo para as duplas responderem, peça voluntários para compartilhar com a turma toda. “Quem gostaria partilhar o que você e seu parceiro pensam sobre...”
    • Formule as lições usando um ritmo animado e uma variedade de técnicas de questionamento que envolvam a classe toda, parceiros e respostas individuais.
    • Antes de pedir uma resposta oral, faça uma pergunta e peça que os alunos anotem primeiro o que eles acharem que seja correto. Depois peça que voluntários respondem oralmente.
    • Permita que os alunos usem quadro brancos individuais durante a lição, é motivador e ajuda a manter a atenção. Se usado corretamente, é também eficaz para checar a compreensão dos alunos e determinar quem precisa de reforço.
    • Varie a maneira que você chama o aluno. Por exemplo, “Todos que estão usando brinco, levantem-se esta pergunta é para vocês”. (Alunos deste grupo podem responder ou ter a opção de passar.
    • Utilize cartões de resposta já preparados para os alunos praticar áreas de conteúdo com uma ferramenta de uso individual. Estes cartões podem ser subdivididos em aproximadamente 3-5 categorias, com respostas escritas naquelas seções (ponto final, interrogação, exclamação). Quando o professor faz a pergunta (lê uma frase), o aluno coloca um pregador de roupa na resposta correta (neste exemplo qual a pontuação é necessária na fase lida); leques de respostas são outra opção (um leque é feito com vários cartões de resposta com um furo e segurado por uma argola).
    Quando feito uma pergunta os alunos escolhem o cartão que melhor responde a pergunta.
    • Faça uso freqüente de respostas em grupo ou ao mesmo tempo quando há uma única resposta curta. Quando estiver explicando, pare com freqüência e peça aos alunos para voltar atrás e repetir uma ou duas palavras.
    • Use folhas de resumo que são resumos parciais enquanto você explica a lição ou dá uma palestra, os alunos preenchem as palavras que estão faltando baseado em o que você está dizendo ou escrevendo no quadro.
    • Uma técnica de instruções direta e outros métodos de questionamento que permitam oportunidade de grande participação (E.: respostas em unissario, resposta em dupla).
    • Use a estrutura apropriada para cooperação em grupos de aprendizagem (ex.: designação  de papéis, tempo limitado, responsabilidade). Não é apenas trabalho em grupo, alunos com TDAH (e muitos outros) não funcionam bem sem as estruturas e expectativas claramente definidas.
    • Sinalize alunos através da audição: toque de campainha ou sino, bata palmas, toque um acorde de piano / violão, use um sinal verbal.
    • Use sinais visuais: pisque as luzes, levante as mãos indicando que os alunos levantem as mãos e fechem a boca até que todos estiverem quietos e atentos.
    • Sinalize claramente: “todo mundo”... Pronto...”
    • Cor é muito efetivo para chamar atenção. Use pincéis coloridos no quadro branco e para transparência no retro-projetor.
    • Contato com os olhos. Os alunos devem estar virados para você quando você está falando, especialmente quando instruções estão sendo dadas. Se os alunos estiverem sentados em grupos, peça aqueles que não estão diretamente voltados para você que virem suas cadeiras e corpos quando sinalizados a fazer isso projete sua voz e certifique-se estar sendo ouvida claramente por todos. Esteja consciente de outros barulhos na sala de aula como ar condicionado e aquecedores barulhentos.
    • Chame o aluno para perto de você para explicação direta.
    • Posicione todos os alunos para que possam ver o quadro. Sempre permita que os alunos reposicionem suas carteiras e  suas carteiras e sinalizem para você se a visão estiver bloqueada.
    • Use recursos visuais. Escreva palavras chave ou figuras no quadro enquanto estiver explicando. Use figuras, diagramas, gestos, demonstrações e materiais de alto interesse.
    • Ilustre, ilustre, ilustre: não importa se você não desenha bem durante suas explicações. Dê a você mesmo e aos alunos permissão e encorajamento para desenhar, mesmo que não tenha talento. Desenhos não precisam ser sofisticados e exatos. Aliás, geralmente quanto mais tolo melhor.
    • Aponte para o material escrito que você quer enfocar com um apontador ou laser. Nota: retro projetores estão entre as melhores ferramentas para prender a atenção na sala de aula. No retro projetor o professor pode modelar facilmente e destacar informações importantes. Transparências podem ser preparadas com antecedência, poupando tempo. As transparências podem ser parcialmente cobertas, bloqueando qualquer estímulo visual que possa distrair.
    • Bloqueie material. Cubra ou retire do campo visual aquilo que você não quer que os alunos foquem, removendo as distrações do quadro ou tela.
    • Ande pela sala – mantendo sua visibilidade.
    • Esteja bem preparado e evite atrasos nas explicações.
    • Ensine tematicamente quando possível – permitindo integração de idéias / conceitos e conexões.
    • Use técnica de nível mais elevado para perguntas. Faça perguntas abertas, que requerem raciocínio e estimulam pensamentos abertos, que requerem raciocínio e estimulam pensamentos críticos e discussão.
    • Use programas de computador motivadores para construção de habilidades específicas e para fixação (programas que fornecem feedback e auto-correção).
    ESTRATÉGIAS E SUPORTES PARA LIDAR COM PROBLEMAS SOCIAIS E EMOCIONAIS  
    • Tente variar a organização de assentos para proporcionar uma situação em que o aluno sinta-se confortável.
    • Dê ao aluno responsabilidade na sala de aula / escola.
    • Reduza o número de tarefa ou modifique para possibilitar um maior índice de sucesso nos alunos.
    • Tente identificar o que está causando estresse e frustração ao aluno.
    • Reduza tarefas com papel / lápis e permita outros meios de produção.
    • Amplie o tempo para completar a tarefa.
    • Use instruções curtas acompanhadas por demonstração ou exemplo visual.
    • Use um cronômetro para determinar o tempo a ser gasto em uma tarefa específica.
    • Forneça atividades que o aluno possa ter sucesso (academicamente e socialmente).
    • Envolva os alunos em atividades de monitoria com crianças menores.
    • Arranje mensagens para o aluno levar outras salas de aula ou para secretarias.
    • Descubra o interesse dos alunos e proporcione atividades que correspondam a esses interesses.
    • Tendem envolver os alunos em atividades extracurriculares.
    • Chame atenção para as potencialidades dos alunos e demonstre os talentos dele /dela, suas ilhas de competência.
    • Dê responsabilidades ao aluno de ser um assistente do professor, monitor, modelo, líder do grupo, etc.
    • Converse com professores, funcionários de apoio, orientadores, assistente sociais sobre esta criança.
    • Aumente a comunicação com os pais.
    • Aumente as oportunidades de encontrar com o aluno individualmente e estabelecer um relacionamento de apoio.
    • Dê a esta criança um monitor que possa lhe dar suporte e ser tolerante.
    • Ensine habilidades sociais apropriadas, estratégias de lidar com situações e resolver problemas.
    • Ensine habilidades sociais apropriadas, estratégias de lidar com situações.
    • Forme pares de alunos com monitores de séries mais avançadas ou um amigo especial, entre a equipe.
    • Aumente significativamente as interações positivas, freqüência de elogios e feedback.  
    ENCORAJAMENTO E APRECIAÇÃO
    • Eu aprecio o esforço que você usou nesta tarefa.
    • Continue pensando nessas boas idéias.
    • Esse B+ reflete seu esforço. Você deve estar orgulhoso de si mesmo.
    • Marcos, eu percebi que você estava bem preparado para a aula de hoje. Realmente ajudou você ter arrumado sua carteira e em ordem o seu caderno.
    • Eu gosto da maneira que você lidou com aquele problema.
    • Você deve sentir-se bem em ver o progresso que você está fazendo. Seu esforço está sendo compensado.
    • É isso mesmo... continue praticando e logo você saberá tudo.
    • Aposto que você se dedicou muito nesta questão.
    • Eu percebi que os alunos da mesa 2 realmente se ajudaram e trabalharam como equipe. Meus parabéns.
    • Leane, você seguiu as instruções rapidamente. Eu aprecio sua cooperação.
    • Eu percebi que você realmente se dedicou a melhorar sua caligrafia. Posso ver uma melhora na sua letra.
    • Eu agradeço a maneira que você ajudou a Mariana com o que ela perdeu ontem por ter faltado a aula. Você realmente é um companheiro responsável.
    • Olha que melhora ! realmente mostra que você se dedicou com tempo e esforço.
    • Eu estou confiante que você fará uma boa escolha.
    • Você consegue fazer isto !
    • Você está  ficando melhor em...
    • Essa é difícil. Mas eu tenho certeza que você pode entender.
    • João, você está mostrando um grande auto-controle esta manhã. Você se lembrou de levantar a mão quando quer falar e está respeitando o espaço dos outros alunos.
    Vanda Rambaldi
    Psicóloga